domingo, 29 de agosto de 2010

Fenótipo ( DNA ?)


"característica determinada pelo genótipo e pelas condições ambientais" Aurélio

Semelhante, parecido, aparência,
relação entre seres, coisas, ou idéias que têm em si elementos conformes,
além dos comuns a espécie.

Dois olhos, uma boca, um nariz?
Mais que isso!
Cor, forma, tamanho..

Estamos (des)marcados?

As marcas estão no que me ensinou, no que aprendi, no que vivemos juntos.
Naquele buraco no quintal, naquela queda-livre da laje à areia da construção.
Naquele picadeiro com direito a cacunda pra pernas cançadas.
Na "manteiga" com pocazói.
Na tatuagem por muitas vezes adiada, no show do Planet Hemp em 2002.

Estamos marcados na teimosia, na alegria, na sinceridade, nas lágrimas.
E quero muito mais!
Ainda que na ausência, ou na presença,
você está em mim e eu em ti.

Estamos marcados!


(eu sou de peixes, ele aquário)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

...

"Se eu faço unicamente o meu
e tu o teu
corremos o risco de perdermos
um ao outro e a nós mesmo
Não estou neste mundo para
preencher tuas expectativas
Mas estou no mundo para me
confirmar a ti
Como um ser humano unico para
ser confirmado por ti
Somos plenamente nós mnesmos
somente em relação um ao outro
Eu não te encontro por acaso
te encontro mediante uma
vida atenta
em lugar de permitir que as coisas
me aconteçam passivamente
Posso agir intencionalmente para
que aconteçam
Devo começar comigo mesmo,
verdade,
mas não devo parar aí:
a verdade começa a dois"

Algum cliente do Roberto Freire





Mais um começo sem fim que te escrevo e guardo
como páginas do livro que conta uma bela e bem vivida história.
Tão infinito e além, como eterno enquanto dure.
Não se sabe onde começa, mas que vale ser recontada
para que ensinem e aprendam, como fazemos,
um com o outro, e com a vida!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"no mundo de Sofia"


AUTO CONFIANÇA.. Sócrates morreu com ela! Acreditava que a democracia da maioria é burrice. Agia pela lógica, SUA lógica!

Uma contração forte e uma afirmação que por enquanto não passa de brincadeira:

- acho que é hoje!.

As pessoas pensam que é como na novela:

- Socorro, a bolsa estourou!- Pega a mala e corre pro Hospital.

O médico diz pra eu ir pra casa, esperar no mínimo mais 12 horas! Ufa \o/
Em casa, um banho de água morna, um cochilo, uma mala bem arrumada, uma ansiedade sem pressa, e a pressa dos "mais experientes":

- você já está perdendo sangue,não pode ficar esperando em casa!!

Foram alguns meses me preparando para esse momento, lendo sobre o assunto, formando opiniões, mas na hora, eu, mulher decidida, me torno mãe indefesa!
Sofia nasceu de parto NORMAL [?], oncitocina, bolsa estourada pelo médico, episiotomia.. sem explicações, sem tempo pra argumentos. Somos cinco na sala de pré-parto! Poderia ser diferente? Menos tenso? Mais normal? Perguntas que não saem da cabeça!

23 horas e 45 minutos, 2,630kg, 45cm, uma menina!
Ainda sem nome, é a princesa. Ela precisa de um nome! Vamos escolher com calma. "Vou chamá-la de Késia" - diz uma tia. Já falei, vamos escolher com calma!
Cora? Catarina? Clara? Sofia.. é Sofia.

Linda Sofia. "O nariz é da mãe!". Lindo nariz rs
Acorda 2 vezes na madruga, chora pra avisar, eu acordo, troco a fralda, dou-lhe "O peitão", ela mama e volta a dormir.

Treze dias depois o primeiro susto, CÓLICAS.
"Dá chá de Erva Doce". Não precisa nada disso, dou o peito e abraço bem forte.
"Que mãe essa, tem prazer em ver a filha chorar". Não é prazer, é paciência, vamos descobrir como lidar com isso, sem chás, sem remédios, crianças têm cólica.
Um coeiro a mais,dormir na barriga da mamãe e zero lactose. Probleminha resolvido, sem chás, sem remédio!

Vinte e nove dias, diarreia - Maldita lasanha.
De novo a conversa de chá, remédios. Me tranco no quarto com Sofia,
e o que mereço "é uma surra".
O peitão entra em cena, um colo bem quente, e uma alimentação correta e pronto!

Outro dia, o esporro foi por amamentar demais: "tem que ter as horas certas!"
além disso, estou "viciando ela no colo!"

Respiro fundo, dou uma lida (benditas mamíferas), retomo minhas forças e auto confiança

esse é só o 1º mês "no mundo de Sofia".

Foto: Sofia, Paz e Amor. Arquivo pessoal.

sábado, 1 de maio de 2010

PALAVRAS doces e salgadas podem jorrar da mesma fonte

não gosto de contradizer a bíblia.. eu tenho fé nela..

mas tá ae uma coisa que o ser humano pode fazer..
e se vc não entende que é ser.. o humano enlouquecE !

terça-feira, 2 de março de 2010

..dos primeiros dias de um novo ano

“Dedé: bebê da zona rural. Já anda. Apóia-se na ombreira da porta passando, com muita precaução, da sala para o vestíbulo. Uma vez conseguido isto, ele vai ficar de quatro para descer engatinhando os três degraus de pedra que levam ao pátio. Conseguiu! Encontra-se frente a frente com um gato: eles se olham, depois cada um segue o seu caminho. Esta é a primeira meia hora de seu dia que contará com dezesseis. Ninguém para lembrar que ele é apenas uma criança: ele sabe por si mesmo coisas que não estão ainda ao seu alcance. Ninguém para preveni-lo de que um gato pode arranhar, e que não pode descer a escada sozinho. Ninguém para intervir em suas relações com as crianças mais velhas. Então o que pode acontecer é que se machuque: um arranhão, uma cicatriz. Mas não quero dizer com isto que você precisa substituir a super proteção por uma total ausência de certa proteção. Apenas explico que, no campo, uma criança de um ano já vive, enquanto que entre nós um rapaz de dezoito anos apenas se prepara para viver. Quanto tempo lhe será necessário para realmente começar a vida?” Janusz Korczak

Essa citação está no ultimo post do mamíferas. Me chamou atenção porque exemplifica um pouco do que repeti algumas vezes desde meu aniversário no ultimo domingo. Não quero ser pretenciosa, mas da afirmação, "Apenas explico que, no campo, uma criança de um ano já vive, enquanto que entre nós um rapaz de dezoito anos apenas se prepara para viver." , eu me encontro mais próxima do bebe do campo, que do jovem da zona urbana.

Meus pais são separados desde que eu tinha 2 anos, fui criada pela minha avó materna e visitava-os ou recebia-os de visita nas férias (como faço até hoje). Quando comecei a estudar, ainda ia fazer 3 anos, minha avó saia muito cedo pra trabalhar e ficava para os meus tios a responsabilidade de me arrumar pra escola.. imagine a bagunça.. dar banhos, pentear meus cabelos que por muito tempo foram bem longos,arrumar a lancheira, coisas que quase nunca ficavam como eu queria (lembro eu já queria algo) fui então aprendendo a pentear meus cabelos sozinha e as outras cositas mais, e com seis anos já ia sozinha pra escolinha que ficava aqui no bairro mesmo.

Com 14 decidi ir morar em Niterói, com minha irmã mais velha e mais próximo da minha mãe. Mas não foi bem esse o motivo, além da minha vontade de mudança da pré-adolescencia, tinha a oportunidade de estudar num dos melhores colégios da cidade com bolsa integral. Na época, fui considerada uma rebelde (novidade) e ingrata. Estava abandonando minha avó, que agora tinha apenas mais um filho solteiro dentro de casa. Mas pensei em mim, no que eu queria, e na oportunidade que me era dada. Fui em frente, e graças a essa rebeldia hoje estou no 6º/7º período de Rádio e TV numa Universidade Estadual, sou militante e isso tem um significado importante pra mim (comecei como secundarista), conheço vários estados do país, e tenho amizades que não troco por nada nesse mundo.

Aos 20 anos, engravidei, de uma pessoa que não nasceu pra ter filhos, não por nada, mas que ao meu ver, escolheu pra sua vida ser livre, viver sem responsabilidades tão sérias e gostosas como essa da paternidade. Engravidei, antes, muito antes do que queria, do que sempre quiz, não da maneira que queria e que sempre quiz. Dentre as minhas escolhas, decidi abortar as minhas vontades de antes, abortar a vontade de outros, conceber meu filho, e encarar o que isso representaria e representa pra mim.

Ao completar 21 anos, não só uma, mas algumas pessoas me perguntaram sobre aquele momento que quase todo mundo tem no seu dia, "Relembrar o passando e pensar no futuro!". Minha resposta? Acho que minha vida me pede pra fazer isso todos os dias, desde sempre! Na irracionalidade da paixão, na racionalidade da razão, a todo tempo sou incentivada a encarar a realidade de frente, e assumir as responsabilidades que isso significa, mesmo que seja ter mais uma ou duas disciplinas reprovadas no histórico da faculdade, por considerar o professor um merda (que vai me dar aula esse semestre de novo) ou por escolher a LUTA por uma sociedade mais justa pra mim (porque vê-lo viver bem vais me fazer bem também).
Aprendi a encarar a realidade de frente, e pensar nas possibilidades dessa realidade, e se me der preguiça, tirar um cochilo ou dar uma namorada porque também sou gente.

Contudo, vou lembrando do Passado, que me mostra como sou forte, como posso fazer muito mais e melhor do que já fiz, e que me dá coragem pra pensar no FUTURO que posso ter, com os amigos, com um grande amor e agora, com essa pessoinha que esta por vir, e que apesar de fazer parte do presente também é mais uma ponte pra um FUTURO, feliz e bem vivido.
O que para os fracos é só uma fantasia, um faz de conta, um sonho mimado de toda mulher, pra mim, é resposta racional do mundo as escolhas racionais que faço, e que com coragem e força vou viver Feliz!

Êaaa !

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Paixão


Autor: Filipe Cabral

"Para mim, o titulo ideal é: Do tempo da prosa com cara de poesia."


É fato, já diagnosticado e comprovado. O mais importante da nossa vida são as paixões. Me desculpem os mais tradicionais. O amor tem seu valor, sua beleza e importância, mas bom mesmo é o sentimento da paixão. Aquele estouro de sensações que pode fazer com que, mesmo nas últimas velas assopradas da vida, nos sintamos ansiosos e empolgados como no tempo das primeiras espinhas na cara.
Que fique bem claro, nada contra o amor! Mas convenhamos que se o amor nos promete a tranqüilidade perene de um colo quente, nos acalma e nos cria sorrisos mansos no rosto, a paixão tem o passe livre entre céu e inferno, une e separa ao mesmo tempo, nos faz molhar o sorriso com lágrimas, engravida. A paixão é o que expande veias e artérias, é final do carioca no Maracanã, o porre de uísque, o carnaval na Sapucaí, a apoteose dos sentidos, é o tesão do amor.
Muita gente, talvez iludida num mundo de borboletas, flores e céu azul de Hollywood, chega a afirmar que casar é a solução. Para isso vivemos. Também não sou contra o casamento, mas não há mortal nesse mundo que me convença de que o casamento seja o remédio para todos os males. Aliás, o que não falta é gente que morre dizendo o contrário. Um casamento sem paixão ou do qual a paixão se despede com o tempo é flor sem água, sexta-feira sem cerveja, feijoada sem samba, Rio sem Ipanema e Madureira. Apesar do conforto de um amor pra vida toda, o que eu gosto, de verdade, é de me apaixonar. Por tudo, por todas, a toda hora, momento, instante, em qualquer lugar ou em lugar nenhum. Basta uma gargalhada bem dada, uma fina alça de blusa caída do ombro, um sotaque mais puxado, um samba a dois ou uma citação bem colocada de Marx, Gramsci, Nietzche, Bauman, tanto faz para que o mundo ganhe contornos coloridos e um novo dia nasça. Ao contrário do amor, a paixão não exige a perfeição completa e a integridade da beleza e aprumo para se manifestar. Grande escritor e ídolo, Xico Sá afirma em seus textos que “mulher é metonímia, a parte pelo todo, sempre encontramos, naquela que se acha a mais feia das mulheres, um pedaço da anatomia capaz de provocar uma inexplicável razão de viver”. E mesmo sem muita propriedade pra falar, acredito que o mesmo deva acontecer com os homens, ainda que, em minha opinião particular, tenham uma anatomia bem desprivilegiada em relação a das mulheres.
A paixão nos permite um leque de possibilidades que nenhum outro sentimento é capaz. Nos apaixonamos, ontem, hoje, amanha, no trabalho, no mês que vem, na escola, faculdade, na fila do supermercado, na mesa de bar, no ensaio da bateria ou numa cerimônia religiosa ortodoxa. Por uma mulher, por outra depois, pela mesma de antes mais uma vez, por homem, amigos, histórias, por gatos e gatas, cachorros e cachorras, galinhas, pintos, pererecas e piranhas, seja lá o que ou quem for. Apesar de não ser sempre a mesma, a paixão, ao contrário do amor, consegue ser constante na vida. Ela foi, é e ainda há de ser num outro dia, mês ou ano. Mesmo quando morta, é capaz de ressurgir das cinzas por um simples telefonema, carta, e-mail ou mesmo por um encontro inesperado.
Além de tudo, a paixão não implica posse. Por sua característica geral e passageira ela pode não me permitir dizer que “sou de todo mundo e todo mundo é meu também” (Platão que o diga), mas também não me torna um proprietário de algo ou alguém. A grande graça, talvez, resida justamente nessa fugacidade. Na necessidade e possibilidade de se renovar todos os dias. “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”, já dizia o poetinha referindo-se, quem sabe precipitadamente, ao amor. A paixão é isso. É um balanço à sorte da maré, é o vai e vem, o início e o fim, é sístole e diástole. Conclusão geral: Não há saída, na verdade, todo mundo quer se apaixonar.


Imagem: "All saint day I" Kandinsky

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Nas filas da vida..


Nesses 5 (quase 6) meses de gestação peguei fila preferencial 3 vezes.
A primeira no banco. Estava com muita fome e sabia que se esperasse toda fila comum passaria mal ali mesmo.
A segunda, também no banco, fazia um calor infernal, tinha andado um bocado, e ao avistar aquela fila enorme, sem ao menos um lugar para sentar por perto, resolvi optar pelo que me era de direito.
Na terceira, hoje, fui a lotérica que está sempre cheia, e que já algumas vezes enfrentei a fila comum, mesmo estando gestante. Mas hoje, era simplesmente impossível, acordei com cãibras, os minutos que passei na fila preferencial já foi bastante desconfortável e, até agora minhas panturrilhas doem.
Mas as pessoas não sabem disso, na verdade, elas só vêem uma barriguinha que nem tá tão grande assim!
Afinal, porque gestantes tem preferência em filas?
Nas duas ultimas situações, passei pelo desconforto de ter que explicar porque isso acontece, pois não ia deixar que as pessoas ali permanecessem na sua ignorância, e que gestantes como eu,novas, fortes e com barriguinhas nem tão grandes assim, continuassem sofrendo com os mesmos questionamentos.
Gestantes têm preferência em filas porque a fome é em dobro, porque o peso que ela carrega, não é dela mas, de alguém dentro dela, e por isso causa um certo desconforto, mesmo que a barriga ainda não apareça. Gestantes ficam com seus pés inchados, e isso é muito desconfortável, eles parecem que vão explodir, e você nem sente os dedos tocar o chão. Acordar com cãibra então, essa foi minha primeira vez, e estou orando para que não aconteça de novo, porque a dor é terrível.

Não pensava em falar sobre esses desconfortos da gravidez. Acho que isso tudo é irrelevante perto das sensações boas que inclusive já escrevi um pouco sobre falando no 1 . Também porque, acho que, se esse é um direito de grávida, não precisava ser questionado. Mas quando isso acontece, surgem outros questionamentos:
- Como pode uma mulher me questionar sobre o direito da gestante ter preferência em filas?
- Ela ainda acha que eu vim de propósito porque sabia que que não enfrentaria a mesma fila que ela?

entre outros..

Enfim, todas as mulheres têm o direito de engravidar, e as mesmas, ainda grávidas, tem o direito de pagar suas contas, e se utilizarem de serviços de banco, supermercados etc. Portanto, respeitem esses direitos e passem a informação adiante!
;)

pS. Quase esqueço, teve uma vez que furei a fila da Thalma de Freitas num supermercado lá em São Paulo, ela é amiga do Fabrício que pediu licença porque precisavamos correr pra pegar o portão da PUC - SP aberto (COBRECOS 2010) rs.. mas essa é outra história!